{"id":7962,"date":"2024-05-12T14:49:07","date_gmt":"2024-05-12T17:49:07","guid":{"rendered":"https:\/\/aguaslindasnoticias.com.br\/?p=7962"},"modified":"2024-05-29T15:00:44","modified_gmt":"2024-05-29T18:00:44","slug":"pesquisadoras-falam-dos-desafios-de-conciliar-maternidade-com-estudos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aguaslindasnoticias.com.br\/index.php\/2024\/05\/12\/pesquisadoras-falam-dos-desafios-de-conciliar-maternidade-com-estudos\/","title":{"rendered":"Pesquisadoras falam dos desafios de conciliar maternidade com\u00a0estudos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Cobran\u00e7a por produtividade acaba expulsando as m\u00e3es das universidades<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVoc\u00ea sabe que essa semana eu chorei muito, n\u00e9?\u201d. \u00c9 com essa frase que a estudante Fernanda Gomes come\u00e7a a falar sobre conciliar a carreira acad\u00eamica e a maternidade. Ela est\u00e1 na reta final do mestrado e \u00e9 dif\u00edcil encontrar tempo em meio \u00e0s disciplinas que ainda precisa cursar, o trabalho fora da universidade e os filhos, para conseguir, enfim, escrever a disserta\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil me manter na universidade\u201d, afirma.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma carreira competitiva, como a carreira acad\u00eamica no Brasil, a constante cobran\u00e7a por produtividade acaba expulsando as m\u00e3es das universidades e da linha de frente da constru\u00e7\u00e3o do conhecimento no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados da Palataforma Supucira, da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), a maioria dos estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o (54,54%) \u00e9 mulheres. Mas, os homens s\u00e3o a maioria entre os professores (57,46%), ou seja, s\u00e3o maioria entre os que conseguem chegar ao topo da carreira e assumir um cargo p\u00fablico como docente e pesquisador. As mulheres tamb\u00e9m s\u00e3o minoria entre os pesquisadores que recebem bolsa produtividade, concedidas no topo da carreira pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), representam 36%.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste Dia das M\u00e3es, pesquisadoras compartilham os desafios que enfrentam para conciliar a maternidade, os estudos, a doc\u00eancia, a pesquisa e, \u00e0s vezes, at\u00e9 mesmo outros trabalhos para complementar a renda. E mostram tamb\u00e9m como medidas, por vezes simples, como a constru\u00e7\u00e3o de frald\u00e1rios ou inscri\u00e7\u00f5es gratuitas para que levem acompanhantes a eventos cient\u00edficos para ficar com os filhos, que podem fazer a diferen\u00e7a, ajudar na inclus\u00e3o e no desenvolvimento da ci\u00eancia como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Gomes \u00e9 mestranda no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades (PPGHDL) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Ela e a companheira, Alessandra Tavares, doutoranda de antropologia na USP, t\u00eam dois filhos, Rhyan, 13 anos, e Ana J\u00falia, 19 anos. As duas se dividem nas tarefas e no apoio \u00e0 carreira uma da outra. No in\u00edcio do ano, Tavares passou 45 dias fazendo trabalho de campo na \u00c1frica do Sul e foi Gomes que cuidou dos filhos e dos afazeres da casa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/zEvNPK9VRUTUO3pVLj3zPn5e9DU=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/05\/10\/fernanda2.jpg?itok=GDlmqT-1\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ) 10\/05\/2024 - DIA DAS M\u00c3ES - M\u00e3es na ci\u00eancia, Fernanda \u00e9 a em primeiro plano de \u00f3culos escuros, seguida de Rhyan, Ana J\u00falia e Alessandra. \nFoto: Elisa Elsie\/Instituto Serrapilheira\" title=\"Elisa Elsie\/Instituto Serrapilheira\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fernanda , seguida de Rhyan, Ana J\u00falia e Alessandra. Foto:&nbsp;<strong>Vanessa\/Arquivo Pessoal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDurante muitos, muitos, muitos anos, a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi para as mulheres. Ainda que as mulheres sejam, n\u00e9, chefes de fam\u00edlia, ainda que se acredite que as mulheres pensem ci\u00eancia de uma maneira muito mais avan\u00e7ada, durante muitos s\u00e9culos, a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi para n\u00f3s. Ent\u00e3o, \u00e9 importante que a gente esteja l\u00e1. E eu acho que \u00e9 um papel das universidades, do sistema de educa\u00e7\u00e3o em geral, pensar pol\u00edticas p\u00fablicas que mantenham essas mulheres nesses lugares\u201d, defende. \u201cEu nem estou fazendo esse recorte racial, porque eu sou uma mulher negra, uma mulher negra l\u00e9sbica. Ent\u00e3o, os meus marcadores ultrapassam essa quest\u00e3o de g\u00eanero, n\u00e9?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Olhares diversos<\/h2>\n\n\n\n<p>Para a professora de rela\u00e7\u00f5es internacionais Maria Caramez Carlotto, da Universidade Federal do ABC, a ci\u00eancia ganha com mais diversidade. \u201cTodo conhecimento parte de uma perspectiva, de uma maneira de olhar para o mundo, que voc\u00ea consegue objetivar, que voc\u00ea consegue controlar, mas que voc\u00ea ganha muito quando voc\u00ea p\u00f5e diversidade\u201d, diz e complementa: \u201cEnt\u00e3o, mais mulheres na ci\u00eancia e mais m\u00e3es na ci\u00eancia, elas aumentam a diversidade de perspectivas, aumentam a chance da gente produzir um conhecimento mais completo, um conhecimento mais objetivo, mais diverso e, por isso, at\u00e9 mais verdadeiro. A gente chega mais pr\u00f3ximo da verdade quando a gente traz m\u00faltiplas perspectivas, pelo tipo de problema que se coloca, problemas que s\u00e3o impens\u00e1veis para os homens, as mulheres passam a colocar para a ci\u00eancia. Ent\u00e3o, essa diversidade realmente \u00e9 muito fundamental\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, ela defende que, assim como todas as demais pessoas, as m\u00e3es t\u00eam direito a participar da constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. \u201cTem tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de justi\u00e7a. As mulheres t\u00eam direito a participar do empreendimento cient\u00edfico, que \u00e9 um dos empreendimentos mais nobres da humanidade, e dentre as mulheres, as m\u00e3es, especialmente, n\u00e9? Por que que n\u00e3o teriam?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>No fim de 2023, Carlotto, que t\u00eam duas filhas,&nbsp;<a href=\"http:\/\/https\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/radioagencia-nacional\/educacao\/audio\/2023-12\/professora-universitaria-tem-bolsa-de-pesquisa-negada-por-ser-mae]%20%E2%80%9CEu%20achei%20muito%20absurdo%20a%20maneira%20como%20tudo%20se%20deu\">divulgou um parecer<\/a>&nbsp;que recebeu do CNPq que negava a ela uma bolsa de produtividade e alegava que a carreira cient\u00edfica havia sido prejudicada pela maternidade, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>A filha mais velha tem 3 anos, tamb\u00e9m h\u00e1 3 anos, a professora tornou-se m\u00e3e e viu a pr\u00f3pria vida mudando. \u201cO meu trabalho sempre foi o centro da minha vida, absolutamente. Eu era muito workaholic (viciada em trabalho), completamente workaholic. E agora, \u00e9 imposs\u00edvel. Ainda sou um pouco, mas \u00e9 imposs\u00edvel isso ser o centro da minha vida, pelo menos enquanto as crian\u00e7as forem muito pequenininhas, n\u00e9? Ent\u00e3o, eu n\u00e3o sou mais senhora do meu tempo. Ent\u00e3o, eu perco prazo, n\u00e3o tem jeito. Essa semana mesmo, eu tinha um artigo para entregar, ele estava praticamente pronto, faltava fazer muito pouca coisa. Mas com as crian\u00e7as doentes em casa, definitivamente eu n\u00e3o consigo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do CNPq divulgados pela organiza\u00e7\u00e3o Parent in Science [LINK: https:\/\/www.parentinscience.com\/], mostram que as bolsas produtividade em pesquisa do mais alto n\u00edvel s\u00e3o concedidas majoritariamente para homens brancos (58,2%), seguidos de mulheres brancas (29,8%). Mulheres pardas contam apenas com 1,3% das bolsas. Mulheres pretas e mulheres ind\u00edgenas n\u00e3o possu\u00edam nenhuma bolsa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impacto nas m\u00e3es<\/h2>\n\n\n\n<p>Pesquisas mostram que ter filhos impacta a produtividade cient\u00edfica, mas mostram tamb\u00e9m que s\u00e3o as mulheres as mais prejudicadas. Um dos estudos foi realizado pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.parentinscience.com\/_files\/ugd\/0b341b_f53ac6eee19f454193a3ae5ef84682f4.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Parent in Science<\/a>.&nbsp;A grande maioria das entrevistadas (81%) relataram que a maternidade teve impacto na carreira cient\u00edfica de forma negativa (59%) e fortemente forma negativa (22%). O estudo destaca a \u201curgente necessidade de esfor\u00e7os no desenvolvimento de programas para apoiar mais mulheres na ci\u00eancia e para incentivar que as mulheres pesquisadores retornem \u00e0s suas carreiras de pesquisa ap\u00f3s uma pausa, como a licen\u00e7a maternidade\u201d. E ressalta que a licen\u00e7a maternidade, no Brasil, \u00e9 de 120 a 180 dias para mulheres, enquanto os homens t\u00eam licen\u00e7as entre 5 e 20 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando o homem se torna pai, ele passa a ser visto como uma pessoa mais competente, como uma pessoa mais respons\u00e1vel. Ent\u00e3o a possibilidade profissional dele sempre \u00e9 maior. Quando a mulher \u00e9 m\u00e3e, isso \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio\u201d, diz a professora do departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Vanessa Staggemeier, que \u00e9 m\u00e3e da Valentina, de 1 ano e 5 meses.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/uXT8M4vqgbHTMdAN_UBrx3RT9_Q=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/05\/10\/vanessa.jpg?itok=L0AF8ZQV\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ) 10\/05\/2024 - DIA DAS M\u00c3ES - M\u00e3es na ci\u00eancia, Vanessa com a filha no colo\nFoto: Vanessa\/Arquivo Pessoal\" title=\"Vanessa\/Arquivo Pessoal\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;Vanessa com a filha no colo Foto:&nbsp;Elisa Elsie\/Instituto&nbsp;Serrapilheira<\/p>\n\n\n\n<p>A gravidez de Staggemeier foi bem planejada. Ela terminou o doutorado, passou em um concurso p\u00fablico esperou ser efetivada, para a\u00ed, sim, realizar o sonho de ser m\u00e3e. Mesmo assim, sente os impactos da maternidade na carreira. \u201cEu ainda estou vivendo nesse per\u00edodo que eu me sinto como se fosse um cachorro correndo atr\u00e1s do rabo e nunca alcan\u00e7ando a cauda. Porque eu n\u00e3o consigo dar conta de todo o trabalho que eu tenho e de todo o cuidado que eu preciso ter com a Valentina pelo fato de eu n\u00e3o poder colocar ela ainda numa escolinha e n\u00e3o ter rede de apoio. Como eu vim de S\u00e3o Paulo, eu n\u00e3o tenho nenhuma fam\u00edlia aqui. Meu esposo tamb\u00e9m n\u00e3o tem fam\u00edlia. Ent\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 a gente no cuidado da pequenininha\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Staggemeier, tanto a carreira como pesquisadora quanto a maternidade s\u00e3o importantes. \u201cEu venho de uma fam\u00edlia super humilde, minha m\u00e3e foi m\u00e3e com 16, meu pai tinha 19 anos e ningu\u00e9m na minha fam\u00edlia tinha feito faculdade, ent\u00e3o quando eu fui para a faculdade eu fui para ser professora\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos momentos de maior dificuldade, ela pensa em outras mulheres que passaram e passam pela mesma situa\u00e7\u00e3o e ressalta a import\u00e2ncia de se ter mulheres e m\u00e3es na ci\u00eancia, justamente para que esses exemplos continuem existindo. \u201cMuitas vezes, durante esse per\u00edodo de um ano e meio quase, eu acho que eu n\u00e3o vou dar conta. N\u00e3o passou pela minha cabe\u00e7a desistir porque eu j\u00e1 fui estabilizada. Eu fico lembrando daquelas que foram as minhas orientadoras, todas elas tiveram filhos, todas elas deram conta. E a humanidade segue adiante, n\u00e9? Ent\u00e3o, eu preciso ter esses bons exemplos na minha mente para n\u00e3o desistir, para n\u00e3o me desestimular e para n\u00e3o vir aquela sensa\u00e7\u00e3o de autossabotagem que muitas vezes a gente faz e fala, eu acho que eu n\u00e3o estou capaz de estar no lugar que eu estou. Ent\u00e3o, a gente precisa ser voz para outras mulheres, para outras meninas que tamb\u00e9m t\u00eam essa vontade de ser cientista\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rede de mulheres<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 o exemplo de outras mulheres que tamb\u00e9m inspira a professora de astrof\u00edsica no Observat\u00f3rio do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Kar\u00edn Men\u00e9ndez-Delmestre. Em uma \u00e1rea predominantemente masculina, ela busca estar sempre em contato com pesquisadoras mulheres e fazer parte de coletivos femininos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/Vawh23KGHhFUCFddJIywt2ydJ1o=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/05\/10\/trbr6976.jpg?itok=lJFyr1JB\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 10\/05\/2024 - Kar\u00edn Men\u00e9ndez-Delmestre, professora de astrof\u00edsica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. M\u00e3e da Sofia, 8 e Ilana, 5. No Observat\u00f3rio do Valongo, centro da cidade. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Kar\u00edn Men\u00e9ndez-Delmestre, professora de astrof\u00edsica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. M\u00e3e da Sofia, 8 e Ilana, 5. No Observat\u00f3rio do Valongo, centro da cidade. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa minha turma de doutorado eram seis pessoas. S\u00e3o turmas pequenas em astrof\u00edsica, em geral, e eu era a \u00fanica mulher\u201d, conta. \u201cE eu tinha bastante dificuldade de ter voz, porque, literalmente, eu tinha que falar mais alto do que eu queria falar. Isso porque eu n\u00e3o sou uma pessoa de n\u00e3o falar baixinho, mas eu tinha que me impor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram outras mulheres, de outras turmas e tamb\u00e9m as professoras, que a fizeram sentir que embora \u00e0s vezes n\u00e3o parecesse, aquele era tamb\u00e9m o lugar dela. Ela \u00e9 uma das embaixadoras da organiza\u00e7\u00e3o Parent in Science na UFRJ. \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o de se sentir parte de um grupo de mulheres acad\u00eamicas, m\u00e3es, tem alguns pais, t\u00e1? \u00c9 uma fonte de fortaleza. Ent\u00e3o, entrar, misturar nessas lutas que juntam academia e maternidade, acho que s\u00e3o coisas que me d\u00e3o muita for\u00e7a e inspira\u00e7\u00e3o para transformar as coisas\u201d. Ela \u00e9 m\u00e3e da Sofia, 8 anos, e da Ilana, 5 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Men\u00e9ndez-Delmestre, que \u00e9 portorriquenha, decidiu pela carreira acad\u00eamica a exemplo dos pais, tamb\u00e9m professores. \u201cA universidade era um lugar de constante juventude, constante ebuli\u00e7\u00e3o de ideias novas. Ent\u00e3o, sempre acho que fiquei com essa impress\u00e3o. Onde as pessoas est\u00e3o se educando \u00e9 onde eu quero estar, pois mesmo envelhecendo, gosto dessa ideia de estar imersa em um espa\u00e7o que sempre est\u00e1 com ideias novas\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi justamente encontra outras mulheres que a fez permanecer. &#8220;Se eu n\u00e3o tivesse visto nenhuma mulher, acho que eu teria ficado como que, ah, isso \u00e9 s\u00f3 um espa\u00e7o dominado por homens chatos, n\u00e3o quero entrar a\u00ed, n\u00e3o. Ent\u00e3o, ocupar com exemplos \u00e9 muito importante, e no momento que voc\u00ea come\u00e7a a n\u00e3o apenas ter alguns exemplos, mas muitas mulheres, voc\u00ea come\u00e7a a ver que d\u00e1 pra ser um leque amplo de vers\u00f5es de mulheres&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>As pesquisadoras apontam que houve mudan\u00e7as. H\u00e1 por exemplo, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.faperj.br\/rp\/downloads\/Edital_FAPERJ_N%C2%BA_10_2024___Programa_Apoio_%C3%A0s_Cientistas_M%C3%A3es_com_V%C3%ADnculos_em_ICTs_do_Estado_do_Rio_de_Janeiro.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">edital da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas Filho de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ)<\/a>, em parceria com o Instituto Serrapilheira e o movimento Parent In Science (PiS), de R$ 2,3 milh\u00f5es para apoiar o retorno das pesquisadoras \u00e0s atividades cient\u00edficas ap\u00f3s terem se tornado m\u00e3es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Elas apontam, entre as medidas que poderiam contribuir para a qualidade de vida e garantia de que as m\u00e3es pudessem continuar as pesquisas, espa\u00e7os para as crian\u00e7as em evento cient\u00edficos; inscri\u00e7\u00f5es gratuitas para que possam levar acompanhantes a esses eventos; vagas em escolas para crian\u00e7as, vinculadas a universidades; ajuste no tempo de sala de aula para que possam se dedicar \u00e0 pesquisa; al\u00e9m de editais espec\u00edficos e balizadores claros e transparentes para equiparar a perda de produtividade materna, especialmente, nos primeiros anos da crian\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: EBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cobran\u00e7a por produtividade acaba expulsando as m\u00e3es das universidades \u201cVoc\u00ea sabe que essa semana eu chorei muito, n\u00e9?\u201d. \u00c9 com essa frase que a estudante Fernanda Gomes come\u00e7a a falar sobre conciliar a carreira acad\u00eamica e a maternidade. 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